Os primeiros dias em Arusha

Depois do choque de realidade que vivi no início, agora nem consigo descrever quanta alegria já tive nestes primeiros dias. Já fizemos tantas coisas que parece que estamos há semanas aqui.
Estou tendo um dia diferente do outro. Tive um dia mais livre para conhecer a cidade, visitar o orfanato e ainda conhecer como vive uma mulher viúva da tribo Masaai.

Começamos o dia nesta visita à casa da viúva Masaai (e assim que eles as chamam). Indescritível como moram: um pequeno quarto para cinco crianças e ela, a pequena sala e uma cozinha fora da casa - eles chamam de cozinha, mas é um espaço a céu aberto com um tipo de prateleira, algumas panelas e pratos, e no chão um lugar para colocar o carvão para cozinhar, direto do chão. Bom, pensando bem, não e muito diferente da casa da Mama Jane (onde estou ficando).

Entramos e sentamos na "sala de estar". Eram tantas as perguntas que eu tinha para fazer e, ao mesmo tempo, eram tantos sentimentos misturados que, no fim, fiquei sem ação... Que sentimento estranho que me paralisou!
Acho que ainda é tudo muito novo, e estou respeitando o meu tempo, como disse uma amiga antes de eu viajar.
Sara, uma das "filhas" de Mama Jane, foi quem traduziu a conversa para nós.
Viúva Masaai e Jessica
Esta mulher Masaai teve nove filhos, todos já grandes e não mora nenhum mais por perto. As cinco crianças que ela cria agora são filhos de uma das filhas que os deixou lá e também foi embora. Ela, aos 65 anos, cria todos eles. Sua renda vem da venda de bijuterias artesanais que ela e outras mulheres Masaai fazem. Quando aparecem visitantes, tentam vender algo... E se não aparecem, não vendem. O governo não ajuda com nada, segundo ela.
Enfim... Foi uma visita bastante amigável e mais um choque de realidade.
Logo depois, fomos conhecer o orfanato... Que incrível! Ao entrar na sala, onde estavam tendo aula de Matemática, as 75 crianças com menos de cinco anos de idade pararam e ficaram nos olhando - os "mzungu", pessoas brancas, como dizem em suahili.

Crianças no Orfanato

Me encantei no primeiro instante. Esta, sim, é a minha vocação: crianças. Elas cantaram e dançaram para nós... E cantamos e dançamos com elas. Algumas vieram para nos abraçar e queriam ficar em nosso colo; outras olhavam de longe com curiosidade. Mas todas queriam o mesmo: carinho e atenção.

Bom, a aula teve que ser interrompida, pois não havia mais concentração para aprender a matemática. Conheci a professora Grace,  que me mostrou o cronograma de atividades ao longo da semana. Estou ansiosa para estar com elas durante a semana.

Saímos do orfanato e fomos à cidade de "dala dala" (as vans que fazem percursos curtos  na cidade - as famosas lotações). Muita gente e comércio de rua. Tudo se vende na rua: chips de telefone, roupas, frutas e verduras, roupas etc. etc. O cheiro é interessante... Um cheiro forte, difícil de descrever... Para o nosso olfato e forte demais e não muito agradável.

Cidade de Arusha
Voltamos para casa, famintos, e almoçamos. A maioria deles comem com a mão, e nós comemos com colher, pois sabem que não é nosso costume. Ajudei a lavar louca e, em seguida, fomos buscar água. Diariamente se busca água para cozinhar, tomar banho, lavar a louça.

Aliás, banho é uma palavra que não usei até o momento. Não há chuveiros e o "banho" se toma na cuba, com uma caneca... Isso mesmo!
De manhã, uma de minhas amigas ajudou-me a lavar o cabelo, jogando água enquanto eu enxaguava. O restante podem imaginar! Banho de gato, sim... Não há outro jeito. E viva os lencinhos umedecidos!!!


Tomando banho de canequinha

À noite jantamos deliciosas tortillas, muito parecidas com as tortillas mexicanas, com feijão, repolho refogado e carne. E depois, "tchai" (o chá) após o jantar. Ajudei a lavar louça novamente e já estava morta de cansaço.
Foi um dia incrível. Tantas coisas novas... palavras, pessoas, experiências. Já me sinto muito melhor, sem aquela tristeza de ontem que me tomou ao chegar. Todos aqui são carinhosos e querem nos agradar... Realmente, desejam que nos sintamos em casa. Hoje, eu me senti.

E inacreditável como o ser  humano é um ser adaptável... Tudo se acomoda e fica bem no final!
Boa noite, Waafrika!

10 comentários:

Anônimo disse...

Jé, indescritivel!!!!!!Bjos Andreza Trujillo

fikerbem disse...


Espero que sua experiência gere muito carinhos quentes e afaste os espinhos frios. O tapa na cara de chegar é dificil mesmo. Morei ano passado na Africa do Sul e visitei algumas comunidades carentes, a vontade é de agir mesmo. Se agirmos cada vez um pouco mais e isso ainda completar nossos sonhos, certamente eles se tornarão universais. Beijos Fiker

Daniela disse...

Jé, continuo te acompanhando, feliz por vc estar mais adaptada.Penso que deve estar sentindo falta de muita coisa, por ex o banho, mas tenho certeza que o que essa experiencia está lhe acrescentado vai suprir toda a falta que está sentindo.
Beijos, saudades
Daniela

Anônimo disse...

Oi tia Jé! Que bom que as coisas estão se ajeitando por aí. Estamos acompanhando todos os seus passos por aqui. O problema é que a vovó Dadá e a Má precisam sempre de uns 40 minutos para se recomporem depois de cada postagem sua...choram pra caramba! kkkkkkk Que experiência incrível! Um beijão com amor, orgulho e saudades, Cirão.

Anônimo disse...

Amor, incrivel!
Tenho certeza que voce fara valer muito a pena!
Continue se cuidando.
Muitas saudades, Dri

Gina F costa disse...

OI jessica, queexperiência maravilhosa...não vejo a hora que voltes para contar tudo denovo.Por enqaunto acompanhamos tudo por aqui.
Grande beijo e força na tua aventura. Gina

Veroca disse...

amiga, to emocionada... obrigada por me convidar para fazer parte desse grande acontecimento... Abrace e se emocione por mim. Estou aqui curtindo cada detalhe. Beijos Veroca

Anônimo disse...

Amada< como tenho pensado em você! Estou adorando seguir seu blog e me emocionando mais ainda.
Não preciso, mas vou, dizer o quanto te amo e o quanto te admiro.
Um beijo no seu coração
Ale

SIL NUTRICIONISTA NO MEIO DO MUNDO disse...

Jel, que máximo! Adorei saber que está realizando algo tão maravilhoso. Mande notícias sempre, beijos, amiga! SIL from Macapá (AP).

prof.irenerocha@hotmail.com disse...

Ao retornar já poderá escrever um livro, com certeza será muito rico. Sucesso e beijos da Tia Nininha.

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